Monday, March 19, 2007

urbanóide

Do topo do prédio
vi a poeira cair da marquise e
voar pelos ventos
do pseudo-inverno urbano
do rio de janeiro.

Em um chuá ele levou
a poeira pelos ares,
dissolvendo aquele pedaço de construção
e fazendo-a sumir no mundo.

Então eu pude ver
- a concreta -
representação da liberdade.

Sunday, March 18, 2007

mcbeth

Do salão principal
da ópera que eu nunca fui
eu vejo a luz sobre o palco.

E em cima dele, uma margarida
cai
direto do teto
e se esparrama no chão de madeira
empoeirado pelo tempo.

Então eu olho pra cima e não vejo nada
- percebendo que sei sonhar.

Saturday, March 10, 2007

Vice-versa

Eu te envio mil eu-te-amos
digitalizados pelo aparelho
de comunicar portátil.

E então as palavrinhas
se propagam pelo ar
fazendo as pessoas as
observarem como se fossem
mil borboletas multicoloridas
que se acasalam no céu azul.

"Mas é amor", eu penso.
E as borboletinhas vão voando,
voando...

E encontram você,
pousam na sua mão delicada
e fazem sair uma lágrima
- solitária -
que evapora
e cai em mim
com a chuva de verão.

Friday, March 02, 2007

O pássaro de Drummond

Lá na zona sul,
eu vi um pássaro.

contente, serelepe que só.

E o pássaro foi voando,
voando...

E um dia eu o encontrei
- pousado no Drummond -
em plena Praia de Copacabana.

Friday, February 09, 2007

cheiros, gostos

o amor é feito da cor
do rio
que atravessa os sonhos.

do golpe de esperança
que dá tom à vida.

do infindável que é
sentir.
e sentir.

e sentir...

Sunday, October 29, 2006


E é assim que as coisas vêm tomando um caminho único. E levantamos com a cara amassada de manhã, percebendo que estamos vivos e que só estávamos desligados. È então neste segundo que o cérebro carrega as informações adormecidas – despertando-as do sono profundo. É então que lembramos: lembramos de todas as coisas que nos deixam felizes e tristes. Todas as preocupações, todos os fardos, todos os momentos belos, agradáveis. O dia anterior, o dia antes do anterior...

Queria que nesse momento tocasse automaticamente uma música. Justamente naquele momento em que se levanta e se senta na cama, ainda sonolento. Queria que fosse uma daquelas músicas belas de filme antigo. Então eu iria à janela, veria que a chuva estava caindo forte lá fora há algum tempo, encharcando a árvore frondosa que fica do outro lado da calçada. E então, respiraria fundo e sentiria os pulmões enchendo-se do ilusório cheiro de terra molhada que vem do asfalto.

Seria então que meus olhos se levariam para a cama, eu veria o corpo adormecido, sereno. Minhas expressões enfim des-enrijeciceriam e me deitaria novamente para voltar a dormir.

Saturday, October 28, 2006

Eu tava falando com ela outro dia que eu tenho a impressão de estar cansando meus amigos com meus problemas sempre iguais. Sempre a minha família, sempre as minhas mesmices. Aí eu entro em crise e me acho uma pessoa chata.

Queria ter mais espontaneidade...

Acho que esse vai ser um dos meus pedidos de Ano Novo quando estiver comendo uva (é uva mesmo?).