às vezes eu penso que chorar é tão necessário quanto beber água. só que o contrário. como se a sede de beber água fosse a necessidade de um preenchimento. chorar é a necessidade de esvaziar um pouco. (é para saciar a sede do mundo)
suposições
Monday, July 31, 2006
in-sóbrio
Seria mais fácil se as pessoas enxergassem por si só. Sem ninguém precisar explicar.
Não são tolos os que param diante da tela em branco e a admiram durante alguns segundos.
Tudo não passa de como se enxerga a beleza das coisas.
Certamente muitos acreditam que a abstração é para loucos.
O que não sabem, é que para sentirmos visualmente, não precisamos do existente como forma. É tudo uma questão de in-sobriedade.
Nem tudo precisa ser o real.
Já que temos a arte para fugir dele, por que não fugir por inteiro?!
Sunday, July 30, 2006
páginas soltas: maio
"Não tenho idéia por onde você está andando nesse instante. Mas eu me esforço em imaginar você por ai, fazendo qualquer coisa, em qualquer lugar, somente para eu poder me sentir mais perto de você. Eu não tenho idéia do que eu estou sentindo de verdade. Eu só sei que é intenso... Mas para que serve dar nomes aos sentimentos?! São somente sentimentos cheios de certeza, cheio de alegria e é claro, uma pitada de angústia - senão não seria um sentimento proveniente de mim.
Queria ter você agora. E ver seu sorriso largo apertando os seus olhos, da maneira mais doce que você consegue.
Eu sinto a sua falta. Como se o dia fosse vazio de algo. Vazio de alguma substância. Que fica presa em mim na sua ausência."
Saturday, July 15, 2006
lado c *
Era uma espécie de descontrole. Não entendia porque o fazia - mas fazia. A sensação era uma culpa por inteiro, como se estivesse traindo a si próprio.
A porta se abriu. Era ela que entrava.
"Como é bela." , pensou.
Deu as costas para o seu próprio crime e a olhou, com seu vestido verde, uma faixa vermelha transpassada pela cintura, "como embalagens de presente de Natal", novamente pensou. E mesmo assim, não conseguia perder o encanto.
Abriu a boca, como se para inciciar a explicação do que acontecia, mas viu o rosto dela rosado, aflito. As sobrancelhas estavam sofridas e derramando uma lágrima a cada olhar.
Então ele caiu sobre o chão de joelhos. O céu se abriu. Tudo o que havia em volta virou um cinza claro, quase ofuscante. Ele se encolheu contra o chão, levando as mãos ao rosto.
Não queria mais viver aquilo.
Foi então que acordou. Enroscado por lençóis brancos e o braço dela entrelaçando o seu corpo.
Era ele quem chorava agora. Molhado de suor.
E ela em um sono profundo.
*subconsciente ficcional, não-lembrança-não-vivida.
Friday, July 14, 2006
no azul
O céu era de um azul único.
As bexigas coloridas das crianças,
que brincavam e brincavam
barulhentas na praça,
voavam
deixando-o pontilhado
de novas cores.
Ao fundo havia um pássaro
negro.
(Mais abaixo que o céu e mais alto que as bexigas.)
E toda vez que ele,
em um segundo plano, as cruzava,
eu via cada uma estourando -
como se seu bico as furasse, sabe.
E então chovia.
pedaços de cores.
Thursday, July 13, 2006
conclusões primárias
Acho que: a gente percebe que ama algo mais do que tudo qndo vemos que a vida parece não ser longa o suficiente. Não é?
Começa-se a sentir que tem algo tão grande por dentro do peito, que a vida toda não é espaço longo pra caber tudo dentro dela.
Quem ama deveria ganhar crédito. Da mesma forma que, quem mata deveria perder - e muitos.
Amar e matar são verbos opostos.
Muito mais do que matar e viver.
Quem ama vive em dobro;
você vive você e quem você ama.

